domingo, 22 de março de 2009

Pode faltar água, diz relatório do aquífero

Hoje, Dia Mundial da Água, a população de Ribeirão Preto e região deve repensar a forma como usa esse recurso ou as próximas gerações podem ficar sem ter o que consumir. É o que aponta o relatório do Projeto Sistema Aquífero Guarani, executado de março de 2003 a fevereiro de 2009 com a proposta de promover a gestão e o uso sustentável da água.

Na última terça-feira, uma expedição promovida pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Sapucaí-Mirim, levou um grupo de técnicos e estudantes para conhecer as formações predominantes no aquífero, como a formação Botucatu, na serra das Rosas, na estrada de Franca. A expedição também conheceu o poço artesiano de Patrocínio Paulista, inaugurado em dezembro de 1996.O Aquífero Guarani é um reservatório natural de rochas que absorvem e retêm a água subterrânea.

Ele se estende pelo território da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Atualmente, a captação de água do aquífero na região de Ribeirão é quase duas vezes maior que a taxa de renovação. Ou seja, todo ano é retirada muito mais água do aquífero do que a água absorvida. Dessa forma, o meio ambiente não tem tempo de repor o que foi retirado e a água subterrânea se torna cada vez mais escassa. Segundo o estudo, a demanda anual da cidade foi estimada em 80 bilhões de litros por ano e a recarga anual é de 46 bilhões. Atualmente, a cidade não é autossustentável em termos de recursos hídricos.

A taxa de consumo diário da população é de aproximadamente 400 litros por habitante, mas pode chegar a 600 litros. Esse gasto está muito acima do consumo ideal por habitante que garantiria a sustentabilidade, de 230 litros por dia."A prefeitura tem em torno de cem poços para abastecer a população, mas existem mais de 300 postos privados. A retirada de água é muito grande e, por isso, estamos monitorando a maior parte dos poços junto com o Estado para garantir o uso consciente da água", diz o secretário municipal do Meio Ambiente, Joaquim Rezende.

Segundo ele, a prefeitura está cadastrando os poços já utilizados e impedindo que sejam abertos outros.Segundo Paulo Puccinelli, coordenador do Comitê da Bacia Hidrográfica do Sapucaí-Mirim, o Aquífero Guarani pode ser dividido em duas partes, uma mais externa, a parte aflorante, e outra mais subterrânea, a parte aflorada. "Na parte aflorante, a gente consegue fazer uma recarga sustentável, ou seja, tirar apenas o que a gente tem como repor. Se a gente fizer assim, é possível ter água ali para o resto da vida", afirmou.

Fonte: Folha Ribeirão