sábado, 10 de outubro de 2009

Rios de SP: Mauá trata apenas 4% do esgoto da cidade

Fonte: SPTV

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Uso da água divide mineradoras e Estado de Minas Gerais

O uso da água escassa do Norte de Minas abriu uma queda de braço entre o Governo do Estado e as mineradoras interessadas em explorar as jazidas de ferro da região de Rio Pardo de Minas, estimadas em 10 bilhões de toneladas - quase metade do potencial do Quadrilátero Ferrífero, que inclui 30 municípios mineiros, entre eles os da Região Metropolitana de Belo Horizonte, Itabira e Mariana, onde estão importantes minas da Vale.

As mineradoras querem construir um mineroduto - tubulação para transporte de minério de ferro - até o Porto de Ilhéus, na Bahia, mas o Governo de Minas Gerais é contra, por considerar que a solução consumiria muita água.

Para o Governo do Estado, o ideal seria a construção de uma ferrovia. A logística de transporte da produção, seja por mineroduto ou ferrovia, e a exploração do mineral vão demandar investimentos de R$ 2,4 bilhões. A polêmica veio à tona ontem, durante audiência pública sobre o projeto em Rio Pardo de Minas.

O município de Rio Pardo de Minas fica a 500 quilômetros do Sul da Bahia, onde seria feito o escoamento da produção. A construção do mineroduto custaria US$ 500 mil por quilômetro instalado. No total, seriam gastos US$ 250 milhões. Já com a estrada de ferro, o valor seria o dobro. “As empresas não são contra a ferrovia. Porém, elas só aceitarão esta possibilidade por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP)”, revela o diretor do Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (Indi), Jamil Habib Cury. Segundo Cury, além de Rio Pardo, outras cidades da região, como Grão Mogol e Salinas, também possuem potencial mineral. Cury diz que o minério de ferro encontrado na região tem uma qualidade boa, com um teor de concentração de 42%.

No quadrilátero ferrífero, esse teor é de 60%. O diretor-presidente da Mineração Minas Bahia (Miba), Alexandre Couri Sadi, disse que a empresa vai investir R$ 1 bilhão na exploração do mineral. Segundo ele, somente nos estudos de prospecção, feitos nos últimos 3 anos, já foram gastos mais de R$ 30 milhões. Ele confirmou que as empresas estão unidas para aceitar a construção da ferrovia somente por meio de uma PPP. “É perfeitamente viável explorar o ferro encontrado na região. Precisamos do apoio do Governo para a possibilidade de uma estrada de ferro, que vai ficar muito cara. O que não vamos fazer, em hipótese alguma, é desistir deste projeto”, afirma Sadi.

A audiência pública em Rio Pardo de Minas reuniu órgãos públicos e representantes de mineradoras como Vale, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Votorantim Metais e Miba. Na pauta de discussões, além da logística, incentivos fiscais. Rio Pardo de Minas possui 28,2 mil habitantes e fica a 681 quilômetros de Belo Horizonte.

Fonte: Ambiente Brasil

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Cobrança de água começa em 2011

Hoje, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê - Cabeceiras aprovará o processo de implantação da cobrança pelo uso da água que é produzida na Região. Mas só em 1º de janeiro de 2011 é que os maiores consumidores do recurso hídrico de fato começarão a pagar pelo que utilizam. O cadastro inicial, oriundo de um cruzamento de dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) apontou 2,3 mil usuários com o perfil adequado. São eles: empresas de saneamento (água e esgoto), prestadoras de serviço (caminhão pipa), indústrias e espaços urbanos privados e públicos, como hotéis, condomínios e hospitais.

Os agricultores, que desde sempre demonstraram grande preocupação com o processo de cobrança, ficaram de fora deste primeiro levantamento. Mas nem por isso escaparão da contribuição a partir de 2011. Segundo cronograma do Comitê, no ano que vem começarão as negociações com o público da zona rural. Quem de fato ficará isento e, em caráter permanente, são pessoas que extraírem menos do que 5 metros cúbicos de água subterrânea, consumidores residenciais, especialmente aqueles que se incluem na faixa de tarifa social, produtores de energia elétrica e micro e pequenos produtores. "Basicamente, o impacto da cobrança não pode ser superior a 2% do produto do usuário", explicou ontem o coordenador do grupo de trabalho de cobrança da câmara técnica de planejamento e gestão do Comitê, Jorge Rocco, em reunião extraordinária do Subcomitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, que aconteceu em Poá.

Embora oficialmente os boletos só comecem a ser enviados em 2011, o órgão garante que já em 2010 estimulará os usuários identificados a darem início imediato aos pagamentos. "A proposta é que se faça uma deliberação específica, definindo uma regra de antecipação voluntária da cobrança pelo uso da água", acrescentou Rocco.

Os valores exigidos dos consumidores serão calculados mediante a soma do volume de água captada (superficial e subterrânea), do volume do recurso hídrico não devolvido e da carga poluente lançada no corpo d’água. Os três componentes darão origem à quantia total, que poderá ser dividida em até 12 parcelas mensais. O Comitê considerará o valor de R$ 0,01 por metro cúbico de água captada, R$ 0,02 por m³ de água consumida e R$ 0,10 por m³ de água lançada.

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Fonte: Diário de Mogi

Dicas de sustentabilidade que podem durar desde os primeiros meses de vida até a vida toda

Em 1995 um dos maiores historiadores da atualidade publicou um tratado assustador sobre o século 20. Em seu livro Era dos Extremos, o britânico Eric Hobsbawm analisa toda a história dos últimos 100 anos. As guerras, os entraves raciais e religiosos, o crescimento das metrópoles e da economia mundial, tudo isso em detrimento da vida humana. "O velho século não acabou bem", escreve. Pois logo no início do século seguinte o mundo passou a assistir a uma de suas maiores crises econômicas. O modelo capitalista, que em resumo diz que, quanto mais se acumular dinheiro, melhor, não funciona mais.

A menina Isadora nasceu no dia 11 de fevereiro de 2009 no meio dessa confusão. E o que ela tem a ver com isso? Tudo. Ela é a herdeirazinha deste mundo que construímos. E, apesar da pouca idade, é Isadora quem definitivamente abriu os olhos da mãe, que assina este texto, para desejar cuidar do que constitui o mundo dela: seu pai, suas bisavós e avós, primos, a sua casa, o seu bairro, a cidade em que vive. Foi assustada pela leitura de Hobsbawm e observando o mundo de Isadora que comecei a elaborar a pauta que deu origem a esta matéria. A troca de fraldas, apesar de ser um ato mais do que trivial na vida de uma mãe, também foi um fator imprescindível para pensar no assunto que vem a seguir.

FRALDA É LIXO

Sim, fralda descartável é uma invenção bem prática, mas um horror para o planeta. Uma criança, em seus dois primeiros anos, utiliza em média 5,5 mil fraldas descartáveis - que custam à natureza cerca de cinco árvores. Uma fralda demora 450 anos nos lixões para se decompor. Para ter uma ideia, a cidade de São Paulo recolhe cerca de 13 mil toneladas de lixo todos os dias. Cerca de 230 toneladas são constituídas de fraldas descartáveis (2% do lixo é constituído de fralda descartável). Os números foram coletados pela engenheira química Bettina Lauterbach, do Rio Grande do Sul. Mãe de duas filhas, é uma das maiores ativistas do Brasil pelo retorno das fraldas de pano. Graças ao trabalho de gente como Bettina, as fraldas de pano evoluíram. Elas se tornaram práticas, ajustáveis ao corpo do nenê. Bettina, que pesquisa tecnologias para a fabricação das fraldinhas e também as comercializa, conta que as maiores inimigas em seu negócio são as avós, que sempre tentam convencer as mães que entram em sua loja a sair dali imediatamente.

Ela explica que aquelas que criaram bebês até meados da década de 1970 ainda têm na memória a pilha acumulada de panos no fim do dia. "Mas deve-se levar em consideração que as fraldas estão diferentes e o acesso às máquinas de lavar também melhorou", diz. Você pode até achar que também não é lá muito econômico para a natureza gastar água com a lavagem de panos. Mas hoje o problema do lixo nas metrópoles é muito mais alarmante do que a escassez de água. Tanto que países como Bélgica e Inglaterra incentivam - inclusive com dinheiro - os pais a optar pelo uso de fraldas de pano. Faça um teste: pergunte a sua avó ou mãe se no tempo dela as crianças deixavam a de usar fraldas mais cedo do que aquelas de hoje, o que acontece por volta dos 3 anos de idade. É provável que, puxando pela memória, ela responda que sim. É que, naquela época, os pequenos se sentiam incomodados por estarem sempre molhados, coisa que não acontece com a fralda descartável, pois a tecnologia usada para absorver o xixi o deixa longe da pele do bebê até a troca. É verdade que não é fácil para pessoas como eu, que se acostumaram a usar fralda descartável na Isadora, se adaptar à de pano. Mas vale o teste. O trabalho cresce um pouquinho, sem dúvida, mas as vantagens ambientais são recompensadoras.

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Fonte: Planeta Sustentável

América Latina é única região do mundo com superávit ecológico

América Latina é a única região do mundo que ainda tem um "superávit ecológico" e por isso deve articular as políticas adequadas para preservar seus recursos, de acordo com a apresentação, na segunda-feira (5), do livro "O Poder Ecológico das Nações".

O texto ilustra com números e estatísticas a realidade ecológica das nações, um tema que foi considerado "da mais alta importância" pelo secretário-geral da CAN (Comunidade Andina), Freddy Ehlers.

Revelou que a mudança climática pode ter um impacto em 2025 que gerará perdas por US$ 25 bilhões nos países da CAN (Bolívia, Colômbia, Equador e Peru)."Seria uma catástrofe para os países andinos. Um grau de temperatura em nível do mar equivale a seis graus nas alturas, nas geleiras, é por isso que estão derretendo", disse."Estamos diante de uma situação que não vamos poder conduzir. Se promove um modelo de vida que não é sustentável, não é possível. Houve esta trágica confusão entre crescimento e desenvolvimento", afirmou.

O livro foi apresentado na sede da CAN em Lima, por Ehlers; Antonio Cardoso Mota, chefe da Delegação Europeia no Peru; e Juan Alfonso Peña, representante de Acordo Equador.

Entre os especialistas convidados estiveram Mathis Wackernagel, diretor-executivo de Global Footprint Network; Juan Reiser, responsável do Projeto de Pegada Ecológica na Pontifícia Universidade Católica do Peru; e Arturo Alfaro, Representante do Fórum Cidades para a Vida.Antonio Cardoso Mota afirmou que para a União Europeia (UE) "esta é uma temática de importância especial", já que se trata "de uma luta de nossa geração para deixar a nossos filhos e netos um mundo melhor"."Este é um livro importantíssimo e acho que a todos nos interpela", assinalou."Queremos reforçar este componente de luta contra a mudança climática... nesta zona que tem os pulmões da humanidade", indicou ao referir-se à cooperação entre a UE e América Latina.

Mathis Wackernagel comentou que o século XXI "nos está obrigando a ver que a verdadeira riqueza da terra não está no dinheiro, mas nos recursos ecológicos".A publicação é resultado da colaboração entre a Fundação Acordo Equador e Fórum Cidades para a Vida, com o apoio da Secretaria-Geral da CAN e a Comissão Europeia, através do projeto SOCICAN (Ação com a Sociedade Civil para a Integração Andina), e Global Footprint Network.

Fonte: Folha Online

terça-feira, 6 de outubro de 2009

domingo, 4 de outubro de 2009

sábado, 3 de outubro de 2009

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Aprovadas mudanças no Comitê do Alto Tietê

O prefeito de Mogi das Cruzes, Marco Bertaiolli, comandou ontem a primeira reunião plenária de seu mandato como presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, em São Paulo. Ao lado de representantes da sociedade civil, dos municípios e do Governo do Estado - os três segmentos representados de forma paritária no Comitê -, Bertaiolli apresentou e aprovou por unanimidade um conjunto de medidas que visam à modernização administrativa da entidade. Já no próximo dia 7 de outubro, a entidade voltará a se reunir - desta vez para iniciar as discussões técnicas sobre a cobrança pelo uso da água.

"As mudanças no funcionamento do Comitê serão fundamentais para facilitar a logística de nossas reuniões e aumentar a nossa resolutividade", disse o prefeito mogiano, que participou da reunião ao lado do vice-presidente Marco Antônio Palermo e da secretária-executiva Maria Emília Botelho. O prefeito de Mairiporã, Antônio Aiacyda, e o secretário do Verde e Meio Ambiente de Mogi, Romildo de Pinho Campello, também estiveram no encontro.

Foram aprovadas três medidas. A primeira é a unificação física das sedes do Comitê e de seu braço executivo, a Fundação Agência de Bacia do Alto Tietê (FABHAT). Enquanto o Comitê funciona em Pinheiros, na sede da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, a FABHAT opera no Centro de São Paulo. A decisão de unir as duas entidades em um só local foi aprovada e, provisoriamente, a sede ficará no Centro de São Paulo, até que se escolha o local definitivo.
Outra decisão é o acúmulo temporário, por parte de Bertaiolli, das presidências do Comitê e da FABHAT. A medida foi proposta e aprovada por unanimidade porque a Fundação ainda não possui receita própria para ativar toda sua estrutura administrativa, formada por vários cargos. Quando a entidade estiver reestruturada e tenha aumento de receita, um executivo será contratado para exercer a função.

O equilíbrio financeiro da FABHAT foi outro assunto discutido na reunião de ontem. "Como administrador, tenho o dever de propor alternativas para que tenhamos dinheiro em caixa para poder trabalhar", disse Bertaiolli, frisando que será proposto um novo modelo de contribuição dos membros, além da sugestão para que entidades de classe, como a Fiesp, também auxiliem financeiramente a entidade.

A terceira medida apresentada e aprovada foi a unificação dos membros indicados pelas entidades integrantes do Comitê e que fazem parte dos conselhos Fiscal e Curador da FABHAT. Atualmente, existem entidades que possuem um representante designado para cada uma destas funções. Não será realizada nova eleição: caberá às entidades unificar as indicações para que as discussões sejam otimizadas.

As mudanças administrativas foram elogiadas pelos participantes da reunião, como, por exemplo, o secretário municipal do Meio Ambiente de Diadema, Rogério Menezes: "É muito salutar observar propostas como estas serem aprovadas, pois tenho certeza de que os reflexos serão positivos para os trabalhos do Comitê", disse.

Fonte: Diário de Mogi

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Representante do estado fala sobre tratamento de esgoto em São Paulo

Fonte: SPTV

São Francisco tem base da bacia hidrográfica em consolidação

O Comitê de Bacia Hidrográfica Afluentes Mineiros do Médio São Francisco, CBH SF9, está em fase final de consolidação. Enquanto aguardam a posse dos conselheiros para começar as atividades deliberativas e normativas, os representantes do comitê iniciaram a discussão sobre o regimento interno, que conferirá ao CBH, condições plenas de funcionamento. O objetivo é fazer o comitê atuar como espaço destinado às discussões descentralizadas e participativas sobre gestão de recursos hídricos.

A área de atuação do CBH Afluentes Mineiros do Médio São Francisco corresponde à unidade de planejamento e gestão de recursos hídricos – SF9, composta por 24 municípios, localizada no extremo norte de Minas Gerais, área do semiárido. Tal fato ressalta a importância de uma atuação eficaz desse Comitê, visto o desafio de promover a gestão justa em área de escassez de recursos hídricos e inúmeros conflitos pelo uso da água.

O escritório regional do Comitê será instalado na cidade de São Francisco com o apoio do Instituo Mineiro de Gestão das Águas (Igam) em parceria com a Prefeitura daquele município. O Igam foi o responsável por providenciar a estruturação física do escritório do CBH cedendo móveis equipamentos básicos para início dos trabalhos. Para 2010 está prevista a entrega do plano diretor da bacia com o enquadramento das águas que prevê as metas de qualidade a serem alcançadas.

Com esses instrumentos de gestão de recursos hídricos, o CBH contará com informações que auxiliarão nas tomadas de decisão, refletindo em deliberações e normatizações que se fundamentam em dados técnicos. Segundo Rafael Alexandre Sá, Gerente Regional do Igam Montes Claros e representante do Comitê, quando o CBH começar a atuar os resultados serão positivos. “Com as instalações prontas, os membros do comitê terão melhores condições de trabalho. A expectativa é de bons resultados”, ressalta.

A inauguração do escritório, está prevista para o próximo dia 9 de outubro, data em que também acontecerá a reunião do comitê, na Câmara Municipal da cidade de São Francisco. Na ocasião, serão empossados os conselheiros e será realizada a eleição da diretoria do CBH, que terá o mandato até 2013. Para esse evento é esperada a presença de autoridades, além de representantes das sociedades civis organizadas e do setor de usuários de água.

Fonte: O Norte de Minas Online

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Estudo aponta que acordo ambiental é cumprido

Pela primeira vez, instituto avaliou os Termos de Ajuste de Conduta assinados nessa área em São Paulo

A análise dos Termos de Ajuste de Conduta (TACs) assinados em São Paulo na área ambiental mostra que o instrumento trouxe bons resultados nos últimos anos - a taxa de cumprimento é de quase 90%. O TAC pode ser visto como uma solução amigável para um conflito. O acordo extrajudicial é assinado geralmente por intermédio do Ministério Público e quem o firma confessa a responsabilidade pelo dano, se comprometendo a corrigir as ações que degradaram o ambiente. Entre os motivos para firmar um TAC em São Paulo estão desmatamentos ilegais, ocupações de áreas de preservação permanente, como topos de morro e margens de rios, e contaminação de solo.

Um estudo inédito do Instituto O Direito por um Planeta Verde indica que, de 1.923 acordos extrajudiciais feitos em São Paulo pelo Ministério Público Estadual entre 2006 e 2008, somente 225 (11,7%) não foram cumpridos. Para a autora do estudo e promotora, Rochelle Jelinek, a pesquisa comprova que a ferramenta é efetiva. Segundo ela, o fato de a assinatura ser voluntária e haver consenso ajuda no cumprimento. "Existe boa vontade nesses casos", diz. De acordo com Jelinek, outra vantagem do TAC é o prazo de execução. "O cumprimento demora alguns meses, enquanto uma decisão judicial pode levar de 5 a 10 anos para sair", afirma a promotora, que atua no Rio Grande do Sul.

O TAC também tem a vantagem de conscientizar o degradador, na opinião da promotora Cristina Godoy de Araújo Freitas, que coordena a área de Meio Ambiente do Centro de Apoio Operacional Cível e de Tutela Coletiva do Ministério Público do Estado de São Paulo. "A parte reconhece que descumpriu e faz a recuperação. É melhor do que aguardar uma decisão da Justiça para só depois recuperar."

BANCO DE DADOS

A pesquisa, financiada pelo Banco Mundial, teve como barreira o fato de o País não contar com um banco de dados oficial sobre TACs. Por isso, não foi possível comparar São Paulo com outros Estados.

Mas a pesquisa também se debruçou sobre os TACs assinados com a participação do Ministério Público Federal (MPF). Por amostragem, é possível verificar uma alta taxa de cumprimento. De 172 acordos examinados, assinados de 2000 a 2005, somente 9 não haviam sido cumpridos (5,2%). Outro dado interessante é que, dos TACs firmados pelo MPF, cerca de 60% envolvem o governo no polo passivo. Ou seja, o órgão público responde pelo problema (como manter um lixão no município) ou foi omisso (não fiscalizou). Meri Cristina Amaral Gonçalves, promotora de meio ambiente no Acre, aprova o uso dos TACs. Mas diz que uma dificuldade é dispor de técnicos para apontar as soluções mais adequadas para cada caso.

As cláusulas propostas no acordo, "quando postas em prática, às vezes não são tão simples quanto parecem no papel".

COMO FUNCIONA

O que é o TAC: Instrumento extrajudicial usado por órgãos públicos para adequar situações contrárias à lei por meio de um acordo
Eficácia: A taxa de cumprimento é alta
Prazo: O cumprimento do TAC leva menos tempo do que uma decisão na Justiça
Uso na área ambiental: Desmatamento, contaminação de solo, ocupação de área protegida

Fonte: Estadão Online

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Zeladores da sustentabilidade

Quem é – e como trabalha – o profissional responsável por colocar temas como meio ambiente e relações com a sociedade na agenda dos negócios

Quatro anos atrás, uma das grandes batalhas dos headhunters no Brasil era encontrar executivos de finanças. Em menor escala, mas com ainda maior dificuldade, os caçadores de talentos estão agora iniciando uma nova maratona. Diante de uma agenda de negócios que foi invadida por temas antes periféricos, como meio ambiente e relações com a sociedade, o desafio agora é encontrar pessoas para a área de sustentabilidade.

Esse processo está no começo, mas vem ganhando força

Estima-se que pelo menos 50 grandes empresas no Brasil já têm ou estão procurando profissionais para ocupar diretorias ou vice-presidências de sustentabilidade. E a expectativa é que esse número cresça rapidamente.

Mas por imaturidade desse mercado, o perfil dos novos gestores ainda está em definição. De forma geral, sua função é dar assessoria às outras áreas da organização, de modo que as questões ambientais e sociais sejam incorporadas aos processos. “Sua grande habilidade deve ser a negociação interpessoal”, afirma Carlos Guilherme Nosé, diretor da Fesa, empresa de recrutamento de altos executivos.

Uma pesquisa da Korn/Ferry, maior consultoria de recrutamento do mundo, tenta definir de maneira mais precisa as características desse novo gestor. Levantamento qualitativo feito com 11 executivos e ao qual Época NEGÓCIOS teve acesso com exclusividade mostra que a capacidade de compreender o negócio de forma holística está entre as principais competências. “Mais do que enfrentar questões pontuais de meio ambiente, o profissional tem de ter visão de toda a cadeia de produção”, afirma Silvia Sigaud, sócia da Korn/Ferry Brasil e coautora do estudo. “Não basta ser idealista. É preciso mostrar resultados concretos.”

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Fonte: Época Negócios

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Prefeito de Mogi das Cruzes fala sobre a poluição no Tietê

Fonte: SPTV

Zoneamento da cana pode alterar dinâmica de ocupação do Cerrado

Especialistas dizem que canaviais devem crescer sobre lavoura, onde terra é mais fértil do que na pecuária

Sobrou para o Cerrado. O Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar, anunciado há dez dias pelo governo federal, proíbe o plantio de canaviais em dois biomas brasileiros: Amazônia e Pantanal. Não diz nada sobre o Cerrado, que já carrega nas costas o peso de metade do agronegócio brasileiro e agora terá de abrir espaço também para a produção de biocombustíveis. Um fardo e tanto para um bioma que já tem 52% de sua área ocupada, segundo dados inéditos da Universidade Federal de Goiás (UFG), publicados ontem pelo Estado.

A única região do Cerrado onde o plantio de cana foi vetado pelo zoneamento é a Bacia do Alto Paraguai - não por fazer parte do bioma, mas porque é onde nascem os rios que abastecem o Pantanal. "Minha impressão é que foi uma decisão puramente política", diz o diretor do Programa Cerrado-Pantanal da ONG Conservação Internacional, Mario Barroso. Ele aplaude a iniciativa do governo, mas cobra uma explicação técnica para as decisões. "O decreto parte do pressuposto de que na Amazônia, no Pantanal e no Alto Paraguai não pode (plantar cana), mas não dá justificativa para isso."

Sem esses critérios, diz, ficará difícil defender o zoneamento de críticas de produtores e governadores infelizes com a exclusão de determinadas áreas. Já os ambientalistas ficam sem argumentos técnicos para exigir a inclusão de áreas semelhantes que estão fora desses biomas. O critério político do zoneamento fica claro na região central de Mato Grosso. Onde é Cerrado, pode plantar cana; onde é Amazônia, não - nem mesmo onde a floresta foi desmatada há muito tempo. Justamente no momento em que a velocidade do desmatamento no bioma parece estar arrefecendo - segundo os dados do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig) da UFG -, a expansão dos canaviais ameaça alterar significativamente a dinâmica de ocupação do Cerrado e de seus biomas vizinhos.

O zoneamento restringe a plantação de cana em "áreas com cobertura vegetal nativa", mas não deixa claro se produtores com autorização legal para desmatar serão impedidos de plantar canaviais. No Cerrado, o Código Florestal permite desmatar até 80% da propriedade.

A estratégia do governo e da indústria para garantir o selo verde do etanol brasileiro é assegurar que a expansão da cana só ocorra sobre áreas já abertas, de pastagens degradas ou subutilizadas, sem competir com a produção de alimentos nem agredir o meio ambiente.

Isso é certamente possível e desejável. A dúvida é se será colocado em prática. Segundo estudo ainda não publicado da Conservação Internacional, 60% da expansão da cana no Cerrado entre 2003 e 2008 ocorreu sobre áreas de produção agrícola, 33% sobre pastos e 4% sobre vegetação primária. "O pior é que as pastagens que estão sendo ocupadas não são degradadas, são altamente produtivas", diz Barroso, um dos autores do estudo.

A lucratividade da cana é tão grande, segundo ele, que está substituindo até mesmo a soja. "A quantidade de dinheiro que circula onde a cana chega é impressionante."Em outro estudo, feito antes do zoneamento, pesquisadores do Lapig estimaram em 89,5 mil km² a área viável para expansão da cana sobre o Cerrado, o que permitiria triplicar a área plantada com canaviais. O estudo considera questões ambientais e econômicas.

Apesar disso, Nilson Ferreira, um dos autores, acredita que a maior parte da expansão da cana ocorrerá não sobre pastagens, mas sobre lavouras, onde o solo é mais fértil. "A produção de grãos será impactada, sem dúvida. O filé mignon do Cerrado já foi ocupado. Não há mais solos bons para onde essa agricultura possa ir com facilidade."No fim das contas, poderá sobrar também para a Amazônia.

O zoneamento reforça o receio de que, ao ocupar áreas de agricultura e pecuária, a cana-de-açúcar empurre essas atividades para outras regiões. Principalmente para cima da floresta amazônica, onde a terra é barata e a chuva mantém as pastagens verdes o ano todo. A recuperação e a ocupação de pastagens degradadas, associadas ao sistema de integração lavoura-pecuária (ILP), seria a melhor maneira de evitar essa migração, segundo os especialistas.

O problema é que ninguém sabe exatamente onde estão essas pastagens ou qual é a condição delas. "Degradada" é um termo genérico, usado para designar pastagens que estão produzindo abaixo da capacidade - o que pode incluir desde um campo invadido por ervas daninhas até terras completamente esgotadas, sem fertilidade, onde o capim nem cresce mais.

"A única informação que temos hoje sobre pastagens no Cerrado é onde elas estão. Não sabemos nada sobre sua condição", diz Laerte Ferreira, diretor do Lapig. Um dos projetos em andamento no laboratório tem justamente como objetivo mapear e qualificar o estado dessas pastagens. "Sem essa informação não temos como planejar o uso dessas áreas adequadamente", observa Ferreira.

TEMOR INFUNDADO

Para o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank, o temor de que a cana venha destruir o Cerrado é infundado. Segundo ele, a cana só pode ser plantada em áreas já alteradas pelo homem. "A cana é a primeira atividade que não poderá crescer desmatando. E isso vale para qualquer bioma."